Responda rápido: o América é o quinto grande do Rio ou o primeiro pequeno?
A resposta, na verdade, pouco importa, já que o fato de existir a pergunta já denota que o América já foi grande e agora passa por dificuldades.
Em uma escala bem maior, outro exemplo é o Bahia, que segue forte por seu povo, um dos mais admiráveis do mundo, mas, infelizmente, continua militando em divisões inferiores. Na Argentina, esse clube é o Huracán, do bairro de Parque Patrícios, em Buenos Aires.
"Grande no se hace, grande se nace" (grande não se faz, grande se nasce), diz a bandeira da torcida do Globo, como é conhecido.
Na Argentina, o grupo dos grandes, que conta com Boca, River, Independiente, Racing e San Lorenzo, não admite convidados.
Nem as três Libertadores do Estudiantes servem.
Nem o fato do Rosario Central ser a sexta maior torcida do país.
Nem o mundial do Vélez, nem a Libertadores do Argentinos Juniors, tampouco os títulos do Newell’s.
O único intruso a esse seleto grupo de cinco era, justamente, o Huracán,, que, por décadas, foi considerado o sexto grande. Dono do estádio Tomás A. Ducó, com capacidade para 48 mil pessoas e uma das mais belas fachadas do mundo, o clube, fundado em 1908, foi campeão argentino em 1921, 1922, 1925 e 1928, ainda na era amadora do futebol no país, e sua maior glória é o título de 1973, sob o comando do então inexperiente César Menotti.
O time de 1973 entrou para a história do futebol argentino e é lembrado com saudade pelos "quemeros", como são conhecidos os "hinchas" do clube, até hoje.
No próximo dia cinco de julho, porém, mais um capítulo glorioso pode ser escrito.
O Huracán, após rebaixamentos nos anos 1980 e 2000, que acabaram com o seu status de "sexto grande" e o deixaram atolado em dívidas, é a sensação do futebol portenho em 2009.
Comandados pelo técnico Angel Cappa, tido antes como mais um saudosista do esporte e agora ovacionado no país, o time pratica um futebol que valoriza a escola clássica de toque de bola da Argentina, além contar com jovens promissores, como Defederico, Bolatti e Pastore, chamados de "Los Angeles de Cappa".
O treinador é daqueles que dizem que a vitória de 1 a 0 foi ruim porque o time jogou mal.
Impossível não lembrar de Telê. Ontem, a uma rodada do fim do torneio, o Huracán alcançou a liderança do Clausura, um ponto à frente do Vélez e no último jogo, dia cinco de julho, só precisa de um empate para ser campeão diante do... Vélez!!!!
Um roteiro sensacional.
O Campeonato Brasileiro é quase ignorado na Argentina e o contrário aconteceu aqui por muitos anos. Uma pena, já que é um torneio cheio de clássicos, estádios lotados, equilíbrio e muita rivalidade.
Hoje, talvez até pelo distanciamento da Amarelinha, já tem muitos brasileiros torcendo para a Seleção Argentina e fãs incondicionais de clubes do país, em especial do Boca. Eu, como admirador de histórias de superação no futebol, grandes torcidas que sofrem e clubes outrora vencedores que passam por dificuldades, torcerei para o sexto título do Club Atlético Huracán, "el sexto grande".
Mesmo que sua torcida seja para o Vélez ou para nenhum dos dois, para quem gosta de futebol, a "final" é imperdível. E talvez sirva de alento para outros grandes que sofrem ao redor do mundo.
*Romero Carvalho é jornalista.
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